Se eu disser que cinquenta por cento de mim é ciência,
Vinte e cinco é música e o resto é vagabundagem,
Vou ser tratado com hostilidade?
Também vou poder comer
Um pedaço do grande bolo que está no forno,
Se disser que desprezo o sentido convencional do trabalho?
Será que meu tio coronel ainda vai me achar cidadão de bem,
Se lhe disser que além de não votar no Bolsonaro
E ser contra a pena de morte,
Desejo passar o resto da vida acumulando conhecimento?
E meu pai,
Que já virava massa de cimento com metade da minha idade,
O que ele vai pensar quando eu lhe disser
Que quero mesmo é sentar e discutir ideias,
Formular hipóteses, testá-las e falhar
Só pra depois fazer tudo de novo?
Ora, perdoem-me
E saibam de antemão:
Quero mesmo é tocar pandeiro e encher umas folhas de equação.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Afro-qualquer-coisa
Macumba não é Umbanda, que não é Quimbanda,
Que não é Candomblé, que não é Batuque,
Que não é Santería, que não é Capoeira,
Que não é Maculelê, que não é Maracatu,
Que por sua vez não é Tambor de Mina,
Que não é Tambor de Crioula, que não é Jongo,
Que não é Umbigada, nem Semba, que nada tem de Rumba.
Ilú não é atabaque, que não é ngoma, que não é batá,
Que por sua vez nada tem de conga.
O Lê não é Candongueiro, Rumpi não é Caxambú,
Nem o Rum é Tambú.
Oxalá não é Jesus, que não é Tupã,
Que não é Jeová, que não é Maomé,
Que, comigo, nada tem em comum.
Mas, que, no final das contas, são tudo a mesma coisa.
Que não é Candomblé, que não é Batuque,
Que não é Santería, que não é Capoeira,
Que não é Maculelê, que não é Maracatu,
Que por sua vez não é Tambor de Mina,
Que não é Tambor de Crioula, que não é Jongo,
Que não é Umbigada, nem Semba, que nada tem de Rumba.
Ilú não é atabaque, que não é ngoma, que não é batá,
Que por sua vez nada tem de conga.
O Lê não é Candongueiro, Rumpi não é Caxambú,
Nem o Rum é Tambú.
Oxalá não é Jesus, que não é Tupã,
Que não é Jeová, que não é Maomé,
Que, comigo, nada tem em comum.
Mas, que, no final das contas, são tudo a mesma coisa.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Latim, língua morta
E pur si muove - Galileo Galilei
Cogito ergo sum - René Descartes
In nomine patris et filii et spiritus sancti - Padre saudosista
Dia desses ainda te encontrum na rua,
Quero te ruborizar a face quando disparar:
"Ainda querum ser patris de vosso filii"
Não precisa responder nada,
Ouça e assim fica tudo bem.
Em língua viva ou morta:
Numquam faz bem guardar pra sempre
Coisas que precisam mesmo sair por aí.
Cogito ergo sum - René Descartes
In nomine patris et filii et spiritus sancti - Padre saudosista
Dia desses ainda te encontrum na rua,
Quero te ruborizar a face quando disparar:
"Ainda querum ser patris de vosso filii"
Não precisa responder nada,
Ouça e assim fica tudo bem.
Em língua viva ou morta:
Numquam faz bem guardar pra sempre
Coisas que precisam mesmo sair por aí.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Breve
Hoje levantei
E por dois minutos vi vovó fazendo café.
Hoje quando acordei
Lá estava vovô consertando a tomada da sala.
Hoje vovô e vovó não eram tristes.
Hoje nem eu era triste.
Hoje o flamboyant chorou todas as suas pitangas.
Hoje foi que pude ter certeza:
A passagem aqui é mesmo breve.
E por dois minutos vi vovó fazendo café.
Hoje quando acordei
Lá estava vovô consertando a tomada da sala.
Hoje vovô e vovó não eram tristes.
Hoje nem eu era triste.
Hoje o flamboyant chorou todas as suas pitangas.
Hoje foi que pude ter certeza:
A passagem aqui é mesmo breve.
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