Veja que formidável, Tristeza,
Todos nós aqui reunidos em torno de seu leito de morte,
E, que incrível: nem mesmo sabes que morreu,
Tu mesma se vê, e finge não acreditar que afundas lentamente.
No fétido cheiro que sobe de tua cama,
Onde ousei um dia deitar, e onde preserva os mesmos lençóis,
Jaz sem teus tantos véus,
Que cismavam em encobrir a verdade de teu rosto,
Agora pálido e cadavérico.
Teus véus caíram, Tristeza,
Desmascararam-te!
Encontra-se agora nua, com teu magro corpo,
Sem tuas tão rotas roupas tecidas pela fiandeira da mentira.
Tu que enganaste a todos nós aqui reunidos,
Agora se vai aos poucos, sem carinho, sem saudade.
Vá logo, Tristeza, não se demore,
Não se esqueça de que há muito já não é bem vinda,
E lembre-se de que aqui ninguém mais se importa se vai bem ou mal.
É a tua irmã, Tristeza, a Felicidade
Que me faz bem, e a quem tanto desejo.
A você, não sobra mais do que aquela velha história:
Um abraço fingido e até nunca mais.
sábado, 22 de dezembro de 2012
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Sinos que dobram
Ouça, sinhá dona
Mas ouça com cuidado.
Veja esse som que vem trazido pelo vento,
E mesmo aqui, no Rancho Fundo,
Conseguimos distinguir com perfeita exatidão.
Sinos! Sim, voltaram a tocar.
Os sinos da velha Igreja
Matriz barroca,
Aleijadinha construção.
E na cidade que cresce ao seu redor,
Janelas e portas se abrem à alegria de um novo dia.
Jovem novo e idoso à caminhar pela praça.
Mãe e avó à costurar novidades.
Na velha quitanda, os papos de sempre,
E a velha cachaça à molhar as palavras.
Já não se importam, todos,
Com a estranha e repentina escuridão de outrora.
É passado o tempo de tristeza, sinhá dona.
E a tempestade que nos assolou por meses,
Sem deixar passar nem o antigo trem,
Já fez seu caminho de saída.
E eu, capiau desajeitado,
À serviço do velho feitor,
Posso voltar, com a fiel enxada,
A plantar as coisas da terra.
Voltar a plantar
Todas as delícias
E todo o amor que deixei de dar
Para minha tão necessitada família.
Diga ao feitor, sinhá dona,
Que seu gado, já tão magro no curral,
Agora há de engordar.
E que os frutos das velhas árvores virão agora em abundância.
É chegado o novo tempo de amor e liberdade.
Mas ouça com cuidado.
Veja esse som que vem trazido pelo vento,
E mesmo aqui, no Rancho Fundo,
Conseguimos distinguir com perfeita exatidão.
Sinos! Sim, voltaram a tocar.
Os sinos da velha Igreja
Matriz barroca,
Aleijadinha construção.
E na cidade que cresce ao seu redor,
Janelas e portas se abrem à alegria de um novo dia.
Jovem novo e idoso à caminhar pela praça.
Mãe e avó à costurar novidades.
Na velha quitanda, os papos de sempre,
E a velha cachaça à molhar as palavras.
Já não se importam, todos,
Com a estranha e repentina escuridão de outrora.
É passado o tempo de tristeza, sinhá dona.
E a tempestade que nos assolou por meses,
Sem deixar passar nem o antigo trem,
Já fez seu caminho de saída.
E eu, capiau desajeitado,
À serviço do velho feitor,
Posso voltar, com a fiel enxada,
A plantar as coisas da terra.
Voltar a plantar
Todas as delícias
E todo o amor que deixei de dar
Para minha tão necessitada família.
Diga ao feitor, sinhá dona,
Que seu gado, já tão magro no curral,
Agora há de engordar.
E que os frutos das velhas árvores virão agora em abundância.
É chegado o novo tempo de amor e liberdade.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Maria
Maria, mulher de jeito tão peculiar,
Me jurou amor eterno,
Mas Maria não sabe bem o que quer.
E eu, juvenil Juvenal,
Tolo que só, acreditei.
Maria me fez jurar
De quatro, uivando,
Que só para ela teria olhos.
E eu, juvenil Juvenal,
De todo verdade, jurei.
Mas Maria não sabe bem o que quer
E após algum indeciso tempo,
Qual furacão que passa e arrebenta,
Partiu.
(Maria cigana, Maria maré)
Sem bilhete, sem resposta,
Maria deitou, sabe-se lá em quais camas.
E bebeu, sabe-se lá em quais copos.
E matou a insaciável fome, sabe-se lá em quais corpos.
E não sabendo bem o que quer,
Maria tornou a voltar,
Como uma tempestade, que vem sei lá d'onde.
E novamente jurou e me fez jurar.
E eu, juvenil Juvenal,
Acreditei e jurei.
E após refastelar-se,
De atenção e prazer,
Com tudo o que eu tinha para lhe oferecer,
Maria me engana e finge estar feliz.
E não sabendo bem o que quer,
Qual uma ventania,
Me diz, então, que tem novamente que partir.
(Parte, Maria!)
Se há de ser assim,
Maria, mesmo aflita, me ouça:
Não voltes, Maria,
Nem cigana, nem maré.
E se for o caso de ainda não saber o que quer,
Volte, Maria.
Mas volte
Maria pedra,
Maria chão.
Me jurou amor eterno,
Mas Maria não sabe bem o que quer.
E eu, juvenil Juvenal,
Tolo que só, acreditei.
Maria me fez jurar
De quatro, uivando,
Que só para ela teria olhos.
E eu, juvenil Juvenal,
De todo verdade, jurei.
Mas Maria não sabe bem o que quer
E após algum indeciso tempo,
Qual furacão que passa e arrebenta,
Partiu.
(Maria cigana, Maria maré)
Sem bilhete, sem resposta,
Maria deitou, sabe-se lá em quais camas.
E bebeu, sabe-se lá em quais copos.
E matou a insaciável fome, sabe-se lá em quais corpos.
E não sabendo bem o que quer,
Maria tornou a voltar,
Como uma tempestade, que vem sei lá d'onde.
E novamente jurou e me fez jurar.
E eu, juvenil Juvenal,
Acreditei e jurei.
E após refastelar-se,
De atenção e prazer,
Com tudo o que eu tinha para lhe oferecer,
Maria me engana e finge estar feliz.
E não sabendo bem o que quer,
Qual uma ventania,
Me diz, então, que tem novamente que partir.
(Parte, Maria!)
Se há de ser assim,
Maria, mesmo aflita, me ouça:
Não voltes, Maria,
Nem cigana, nem maré.
E se for o caso de ainda não saber o que quer,
Volte, Maria.
Mas volte
Maria pedra,
Maria chão.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
O paradoxo da flor de lótus
Do charco de lama mais espessa
E de água mais escura,
Às vezes, nasce,
Imponente como só ela,
A flor de lótus.
Dona de irônica e única beleza,
Lótus enfeita tão feio lugar.
Mas, não podendo fugir
De nossa rota pré-moldada,
Lótus também perece,
Voltando a ser lama.
E voltando a tornar tão comum o seu lugar.
É tolice esperar sentado
Que lótus volte a florescer.
Pois quando der de acontecer,
É possível que já seja tarde,
E uma vida inteira tenha passado diante de ti,
Sem que nem se desse conta.
Tem é que sair do charco.
Flor se caça na campina.
E de água mais escura,
Às vezes, nasce,
Imponente como só ela,
A flor de lótus.
Dona de irônica e única beleza,
Lótus enfeita tão feio lugar.
Mas, não podendo fugir
De nossa rota pré-moldada,
Lótus também perece,
Voltando a ser lama.
E voltando a tornar tão comum o seu lugar.
É tolice esperar sentado
Que lótus volte a florescer.
Pois quando der de acontecer,
É possível que já seja tarde,
E uma vida inteira tenha passado diante de ti,
Sem que nem se desse conta.
Tem é que sair do charco.
Flor se caça na campina.
sábado, 10 de novembro de 2012
Papel transcendental
Nossa existência é assim:
Quilométrico papel branquinho.
Nele escrevemos cada passo.
Sabe-se lá a razão.
É assim também:
Escrito à caneta,
Um explícito masoquismo.
Ora de mão leve, ora de mão pesada.
A cada erro de escrita, valha-me Deus!
Santa agonia.
Nos portamos feito loucos, quase rasgamos o papel.
A vã esperança de apagar doloroso feito.
Com um pouco de tempo
E paciência do tamanho de uma montanha,
Aprendemos a ter letra bonita
E a continuar escrevendo, apesar dos erros.
Quilométrico papel branquinho.
Nele escrevemos cada passo.
Sabe-se lá a razão.
É assim também:
Escrito à caneta,
Um explícito masoquismo.
Ora de mão leve, ora de mão pesada.
A cada erro de escrita, valha-me Deus!
Santa agonia.
Nos portamos feito loucos, quase rasgamos o papel.
A vã esperança de apagar doloroso feito.
Com um pouco de tempo
E paciência do tamanho de uma montanha,
Aprendemos a ter letra bonita
E a continuar escrevendo, apesar dos erros.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Veja, moça I e II
Veja, moça
Já não te apresentas tão doce
Quanto a moça do sonho de idos meses.
E já nem tem beijos ou abraços
Que se pareçam com os da moça do sonho de ontem.
E, muito provável, ainda estejas tão brava
Quanto a moça do sonho de semanas atrás.
Que desgraça, não, moça?
Veja o que se abateu sobre nós:
Como duas pequenas moscas,
Fomos atraídos para a teia de nosso predador.
E aqui ficamos presos nesse turbilhão de vir a ser.
E, mais do que isso, moça
Somos nós e somente nós os predadores cheios de veneno.
Representamos em x e y a função inversa de amantes.
E quem vai saber onde está o erro, moça?
Talvez o erro esteja em existir,
Ou, mais do que isso, talvez o erro esteja em amar...
Ora, esqueça, moça, acho que falei demais
E me irritei demais, e, talvez pensei demais.
Não há erro em amar,
E amando, só com amor podemos pagar.
E aqui, não somos portanto, moça,
Nem credor, nem devedor.
É comum que venha a se indagar: "posto que recebi e não paguei,
Qual a lógica perversa desse raciocínio?"
E logo responderei que não sei.
E mesmo já tendo ficado bravo,
Hoje te digo com plena certeza
Que o amor não há de ser moeda de troca,
E por ele não deve haver mendicância.
E que fico feliz de ter te dado todo o amor que outrora havia por aqui,
Mesmo que aqui já não sobre nenhum e eu ande temeroso com a sombra dos dias.
Já não te apresentas tão doce
Quanto a moça do sonho de idos meses.
E já nem tem beijos ou abraços
Que se pareçam com os da moça do sonho de ontem.
E, muito provável, ainda estejas tão brava
Quanto a moça do sonho de semanas atrás.
Que desgraça, não, moça?
Veja o que se abateu sobre nós:
Como duas pequenas moscas,
Fomos atraídos para a teia de nosso predador.
E aqui ficamos presos nesse turbilhão de vir a ser.
E, mais do que isso, moça
Somos nós e somente nós os predadores cheios de veneno.
Representamos em x e y a função inversa de amantes.
E quem vai saber onde está o erro, moça?
Talvez o erro esteja em existir,
Ou, mais do que isso, talvez o erro esteja em amar...
Ora, esqueça, moça, acho que falei demais
E me irritei demais, e, talvez pensei demais.
Não há erro em amar,
E amando, só com amor podemos pagar.
E aqui, não somos portanto, moça,
Nem credor, nem devedor.
É comum que venha a se indagar: "posto que recebi e não paguei,
Qual a lógica perversa desse raciocínio?"
E logo responderei que não sei.
E mesmo já tendo ficado bravo,
Hoje te digo com plena certeza
Que o amor não há de ser moeda de troca,
E por ele não deve haver mendicância.
E que fico feliz de ter te dado todo o amor que outrora havia por aqui,
Mesmo que aqui já não sobre nenhum e eu ande temeroso com a sombra dos dias.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Sendo humano
Somos assim,
Fugitivos sem razão,
Sem rumo, ou mapa
Que nos mostre exatamente
Aonde se encontra o abrigo.
Prisioneiros por opção,
De uma prisão sem grades ou paredes.
Uma prisão que, na verdade, nem existe.
Presos ao que não conseguimos definir.
Algozes de nós mesmos,
Sempre a colocar mais pesos um no outro.
A torturar lentamente o que não se deve torturar.
Sem entender muito bem
Como devemos nos comportar.
Somos nós, nós dois,
(E quem mais quiser)
Tão noz, com duras cascas de orgulho,
E ao mesmo tempo tão humanos,
Ainda necessitados do devido carinho.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Soneto-avestruz
Vá lá, sem hesitar,
Enterre novamente
A cabeçorra no chão.
Cheire terra e olhe terra.
E se esconda assim,
Ao primeiro sinal de perigo.
Ao primeiro sinal de ameaça
A essa tua rotina perene.
Iluda-te tão veementemente,
Com tua tão fácil fuga.
E use teu esconderijo de morada.
E tenha sempre medo de mudar.
E perca uma vida inteira no medo.
E se arrependa no final.
(Sem já não poder desfazer o triste feito,
Numa amargura sem fim.)
Enterre novamente
A cabeçorra no chão.
Cheire terra e olhe terra.
E se esconda assim,
Ao primeiro sinal de perigo.
Ao primeiro sinal de ameaça
A essa tua rotina perene.
Iluda-te tão veementemente,
Com tua tão fácil fuga.
E use teu esconderijo de morada.
E tenha sempre medo de mudar.
E perca uma vida inteira no medo.
E se arrependa no final.
(Sem já não poder desfazer o triste feito,
Numa amargura sem fim.)
sábado, 22 de setembro de 2012
Prima Vera
Pré-ocupado com problemas,
Inúteis problemas do cotidiano
E papéis sem uso em cima da mesa,
Mal via a tempestade e a ventania que varria quintais
E destelhava casas pelo lado de fora da janela.
E foi a ventania de tal potência
Que entrou pela janela,
Qual bicho mitológico que vem
Pronto pra alguma sorte de desagrado,
E varreu e destelhou todo o velho eu.
Quebrou vidraças e abriu portas, tirou o ranço.
Nada sobrou nesse sobrado velho do meu eu.
Revirou gavetas e jogou para longe
Os papéis sem uso que tanto me inquietavam.
Mal percebia eu o que se passava alí...
Era ela que vinha,
Nova e onipotente, pronta pra mais um outubro.
Ela, com seu sorriso largo, e seus novos amores.
Seu sol no peito e seus ipês em flor.
Era ela, era Vera.
Inúteis problemas do cotidiano
E papéis sem uso em cima da mesa,
Mal via a tempestade e a ventania que varria quintais
E destelhava casas pelo lado de fora da janela.
E foi a ventania de tal potência
Que entrou pela janela,
Qual bicho mitológico que vem
Pronto pra alguma sorte de desagrado,
E varreu e destelhou todo o velho eu.
Quebrou vidraças e abriu portas, tirou o ranço.
Nada sobrou nesse sobrado velho do meu eu.
Revirou gavetas e jogou para longe
Os papéis sem uso que tanto me inquietavam.
Mal percebia eu o que se passava alí...
Era ela que vinha,
Nova e onipotente, pronta pra mais um outubro.
Ela, com seu sorriso largo, e seus novos amores.
Seu sol no peito e seus ipês em flor.
Era ela, era Vera.
domingo, 16 de setembro de 2012
Visita inesperada
E os mil caminhos do mundo
É que te servem de bússola.
Teu norte magnético
Se confunde com o teu norte geográfico.
Quais segredos estão escondidos
Debaixo de tuas roupas coloridas?
E o cheiro de incenso,
Qual a sua magia?
Vejo com clareza,
Por entre a fumaça branca do teu cigarro,
Que teu destino é mesmo andar por aí.
Cigana, nem mil moedas de ouro
Comprariam essa tua fome de estrada.
Não te quero, então, presa.
Tua vida é traçada ao som da rabeca,
E o teu amor é livre
Como o movimento dos teus pés.
Não te pedirei, então, beijos apaixonados,
Nem tua estadia cobrarei.
Talvez me falte, o que em tu sobra:
Coragem de ser livre.
É que te servem de bússola.
Teu norte magnético
Se confunde com o teu norte geográfico.
Quais segredos estão escondidos
Debaixo de tuas roupas coloridas?
E o cheiro de incenso,
Qual a sua magia?
Vejo com clareza,
Por entre a fumaça branca do teu cigarro,
Que teu destino é mesmo andar por aí.
Cigana, nem mil moedas de ouro
Comprariam essa tua fome de estrada.
Não te quero, então, presa.
Tua vida é traçada ao som da rabeca,
E o teu amor é livre
Como o movimento dos teus pés.
Não te pedirei, então, beijos apaixonados,
Nem tua estadia cobrarei.
Talvez me falte, o que em tu sobra:
Coragem de ser livre.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Outros cantos
Pare, amor!
Peço que não continues
Isso que insistes em cantar.
(Mas, não te aflijas,
Tua voz é bonita.)
Peço-te para parar única e simplesmente
Por conta de alguns caprichos
Tolos que insisto em ter.
Veja, amor,
Sei apreciar as boas bossas,
Mas, outro amor
Já cantou uma vez
Essas mentiras para mim.
(E, não te aflijas novamente,
És única do teu jeito.)
Acontece que aquelas bossas
Não foram como desejei,
E abortado foi o sentimento,
Mais cedo do que o previsto.
É capricho meu, então,
Que não me faça recordar
Do acontecimento que não aconteceu.
É necessário que arranjemos
Outros sons, outros instrumentos,
Outros cantos.
Outras mentiras
E outras paisagens,
Essas feitas para enganar
Quem ainda acredita nessas tolices de amor.
(...)
Quem ainda acredita nessas tolices de amor?
Peço que não continues
Isso que insistes em cantar.
(Mas, não te aflijas,
Tua voz é bonita.)
Peço-te para parar única e simplesmente
Por conta de alguns caprichos
Tolos que insisto em ter.
Veja, amor,
Sei apreciar as boas bossas,
Mas, outro amor
Já cantou uma vez
Essas mentiras para mim.
(E, não te aflijas novamente,
És única do teu jeito.)
Acontece que aquelas bossas
Não foram como desejei,
E abortado foi o sentimento,
Mais cedo do que o previsto.
É capricho meu, então,
Que não me faça recordar
Do acontecimento que não aconteceu.
É necessário que arranjemos
Outros sons, outros instrumentos,
Outros cantos.
Outras mentiras
E outras paisagens,
Essas feitas para enganar
Quem ainda acredita nessas tolices de amor.
(...)
Quem ainda acredita nessas tolices de amor?
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Fugitivo
Veio pelo encanamento, como sempre, saiu pelo chuveiro:
Me banhou e me secou,
Me vestiu e escovou.
E agora, sentado aqui,
Por pouco não me escapa da ponta do lápis.
Mas, não deixo fugir,
Não dessa vez.
De jeito algum!
Toma jeito, inspiração.
Me banhou e me secou,
Me vestiu e escovou.
E agora, sentado aqui,
Por pouco não me escapa da ponta do lápis.
Mas, não deixo fugir,
Não dessa vez.
De jeito algum!
Toma jeito, inspiração.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Cicatrizes
Que sejam essas cicatrizes
(Essas marcas mais, ou até menos, profundas,
Nas minhas mãos, pés, rosto e peito)
Fardos bem pequenos (fardinhos).
Que sejam como essas coisas pequenas,
Que se coloca na última gaveta do criado-mudo e se esquece,
Junto das revistas velhas de 1996.
Que a minha memória falhe,
E já não me sobre nomes, datas ou lugares,
E que assim eu possa recomeçar,
E fazer tudo de novo, e errar tudo de novo,
E machucar tudo de novo, e cicatrizar tudo de novo,
E começar o ciclo todo de novo.
(Essas marcas mais, ou até menos, profundas,
Nas minhas mãos, pés, rosto e peito)
Fardos bem pequenos (fardinhos).
Que sejam como essas coisas pequenas,
Que se coloca na última gaveta do criado-mudo e se esquece,
Junto das revistas velhas de 1996.
Que a minha memória falhe,
E já não me sobre nomes, datas ou lugares,
E que assim eu possa recomeçar,
E fazer tudo de novo, e errar tudo de novo,
E machucar tudo de novo, e cicatrizar tudo de novo,
E começar o ciclo todo de novo.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Sabe-se-lá-onde
Certa noite, uma certa moça, interrompeu um beijo e me disse de repente:
- Sabe, adoro a noite, sempre me sinto cheia de vida quando posso beber, dançar e rir e mais tudo isso que fiz hoje... mas, e você, por onde anda seu coração, moço?
Eu hesitei, mas respondi:
- É... Bem aqui no peito, ora!, em tom de piada, tendo certeza de que não era essa a ideia de sua pergunta. Entretanto, havia sido a melhor resposta que encontrei sem levar muito tempo para pensar.
Ela riu-se e fez piada da minha resposta. A moça esperta conseguia entender a razão da minha hesitação em responder-lhe a verdade, adivinhou que eu me encontrava em constante dúvida. E assim, calou-se sem voltar ao tema.
No final da noite, mal sabia ela o mal que me causara. Nos despedimos e seguimos cada um o seu caminho. Maldita moça! Saí desembestado, andando légua tirana à procura de algo ou alguém que pudesse me ajudar. Em busca de um significado pelo qual valesse a pena viver. Caminhando por uma porção de estradas e esquinas, encruzilhadas e ruas sem fim.
E depois de tanto andar e nada encontrar, foi lá na divisa da Fazenda Velha com o Rancho Fundo, no interior de sabe-se-lá-onde, no alto do morro e na beirada da cerca, vendo o Sol se pôr, que me veio, finalmente e ao acaso, quase que numa louca epifania, a devida resposta à pergunta da moça.
Foi lá que descobri que meu coração está, na verdade, solto por aí, correndo pela campina. Que está por detrás da mangueira e por cima da jaqueira. Está subindo para pegar frutas na goiabeira. Está ipê, flamboyant e sibipiruna. Está águia, coruja e gavião. E passa o dia deitado debaixo de árvore qualquer, adivinhando o passarinho pelo canto, e ainda galopa pelo meio do capim, em cima do cavalo mangalarga. Se entoca durante a noite pra se proteger de predador e acorda cedo no dia seguinte, pronto pra subir outra montanha, ver tudo lá do alto e se sentir livre novamente.
Mal sabia a ajuda que a moça me daria naquela noite... bendita moça!
(Quem sabe um dia não nos encontremos de novo por aí)
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Há de haver
Talvez,
De um certo ponto de vista,
(Ou mesmo após alguns copos de whisky...)
Seja o meu amor assim como os frutos d'alguma árvore.
Essas que ficam perdidas pelos caminhos.
Há quem, perambulando por aí, o veja,
E, sem nenhuma explicação,
Prefira os frutos do vizinho.
Há quem o prove,
E, por motivo qualquer,
De gosto, ou sabor, ou momento,
Não goste.
(Regurgitando e maldizendo-me sem piedade...)
Há ainda os egoístas,
Que se empanturram e guardam consigo as sementes.
E de nada me vale,
Posto que aqui
Não pude ser mais do que alguns minutos.
Há de haver, então,
Quem dele venha provar,
E com tal inspiração, espalhe por aí
Uma ou outra semente,
Que talvez germine,
E possa ser sombra e vento fresco
Perdido mais pra frente no caminho.
De um certo ponto de vista,
(Ou mesmo após alguns copos de whisky...)
Seja o meu amor assim como os frutos d'alguma árvore.
Essas que ficam perdidas pelos caminhos.
Há quem, perambulando por aí, o veja,
E, sem nenhuma explicação,
Prefira os frutos do vizinho.
Há quem o prove,
E, por motivo qualquer,
De gosto, ou sabor, ou momento,
Não goste.
(Regurgitando e maldizendo-me sem piedade...)
Há ainda os egoístas,
Que se empanturram e guardam consigo as sementes.
E de nada me vale,
Posto que aqui
Não pude ser mais do que alguns minutos.
Há de haver, então,
Quem dele venha provar,
E com tal inspiração, espalhe por aí
Uma ou outra semente,
Que talvez germine,
E possa ser sombra e vento fresco
Perdido mais pra frente no caminho.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Esquecer o passado
Escrito em 06/07/12:
Esqueça, então,
Nome, telefone, endereço.
Esqueça hora, dia, mês e ano.
Esqueça música, letra e poesia.
Esqueça abraço, beijo e queijo.
Esqueça ideologia e visão.
Esqueça filme e paisagem,
Praça e praia.
Afinal, de quê serve passado?
Passado é loucura e mentira!
O futuro é que é verdade,
O futuro é que é de verdade.
No futuro tem solução e alegria.
Não tem que ter medo do futuro.
Nem tem que perder tempo com o agora.
Tem que ter que medo é desse assustador copo vazio,
Bem aí na sua frente.
Chame o garçom,
Peça-lhe mais uma dose.
Peça-lhe também outro desses sorrisos de plástico,
Esses que o Gil cantou em 68,
"Made, made, made, made in Brazil".
E, por último, ordene-lhe mais cinco mil amores.
Esqueça também os primeiros mil,
E os outros quatro mil, finja que nem viu...
Esqueça, então,
Nome, telefone, endereço.
Esqueça hora, dia, mês e ano.
Esqueça música, letra e poesia.
Esqueça abraço, beijo e queijo.
Esqueça ideologia e visão.
Esqueça filme e paisagem,
Praça e praia.
Afinal, de quê serve passado?
Passado é loucura e mentira!
O futuro é que é verdade,
O futuro é que é de verdade.
No futuro tem solução e alegria.
Não tem que ter medo do futuro.
Nem tem que perder tempo com o agora.
Tem que ter que medo é desse assustador copo vazio,
Bem aí na sua frente.
Chame o garçom,
Peça-lhe mais uma dose.
Peça-lhe também outro desses sorrisos de plástico,
Esses que o Gil cantou em 68,
"Made, made, made, made in Brazil".
E, por último, ordene-lhe mais cinco mil amores.
Esqueça também os primeiros mil,
E os outros quatro mil, finja que nem viu...
Corra, corra
Escrito em 17/06/12:
Vá sem parar,
Que a vida não é de brincadeira,
Tem tanta gente nova pra descobrir.
Afinal, quem mesmo quer ver
A vida passar ao largo dos dias?
Corra, corra
Sem nem olhar pra trás,
Pois, com um milhão de outras montanhas pra amar,
E um milhão de outras fontes pra provar e saborear,
E um milhão de outras sementes pra germinar,
É tão normal que a vida seja assim,
Apátrida,
Tão cigana.
Corra, corra,
Sem nem se despedir.
E a falta de remorso já não é surpresa,
A dor maior não é a de quem puxa o gatilho.
E, é sabido que dor mesmo é ter um curso calmo de existência.
Corra e corra
E corra ainda mais um pouco,
Paciência é a virtude dos tolos,
O relógio nunca para de correr,
E, num segundo, lá está ele batendo de novo,
Cheio de meios-dias e meias-noites.
E, no final das contas, nesse mundo desse jeito,
Flores bonitas são só aquelas que desebrocham numa hora
E perecem logo em seguida.
E corra ainda mais um pouco,
Paciência é a virtude dos tolos,
O relógio nunca para de correr,
E, num segundo, lá está ele batendo de novo,
Cheio de meios-dias e meias-noites.
E, no final das contas, nesse mundo desse jeito,
Flores bonitas são só aquelas que desebrocham numa hora
E perecem logo em seguida.
Como é?
Escrito em 16/06/12:
Como é, então, companheiro?
Procura sempre bradar seu amor pelo amigo,
pelo amante, pelo animal, pela humanidade.
Sem nem ao menos medir suas palavras.
Será que sabe mesmo amar?
Como é, novamente, companheiro?
Fala sempre de felicidade e dessas coisas bonitas,
Mas, na real, fica em frangalhos
Caso a realidade bata em sua porta.
Será que sabe mesmo ser feliz?
Como é, finalmente, companheiro?
Torço pelo dia que caia em si e veja, de fato,
Que seu falso amor e sua falsa felicidade
Apenas postergaram a tristeza que fez questão de esconder.
Será que, então, não vai mais me enganar?
Como é, então, companheiro?
Procura sempre bradar seu amor pelo amigo,
pelo amante, pelo animal, pela humanidade.
Sem nem ao menos medir suas palavras.
Será que sabe mesmo amar?
Como é, novamente, companheiro?
Fala sempre de felicidade e dessas coisas bonitas,
Mas, na real, fica em frangalhos
Caso a realidade bata em sua porta.
Será que sabe mesmo ser feliz?
Como é, finalmente, companheiro?
Torço pelo dia que caia em si e veja, de fato,
Que seu falso amor e sua falsa felicidade
Apenas postergaram a tristeza que fez questão de esconder.
Será que, então, não vai mais me enganar?
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Bicho
Escrito em 31/05/12:
Qual bicho liberto do cárcere,
Que sai desembestado por aí
À procura da falsa liberdade.
Já não se recorda do modus operandi
Da selvageria que o cerca.
Dá-se assim o recomeço e a reabilitação.
Passo a passo, dia a dia,
Vem o cheiro de verde e o gosto de sol.
Veste-se então o manto da falsa liberdade.
Apaga-se o passado de cárcere,
Sonha-se com o futuro de liberdade.
Acredita-se que de fato tem-se a vida nas mãos...
(Pobre bicho!)
Em pouco tempo some o cheiro e some o gosto,
Qual bicho liberto do cárcere,
Que sai desembestado por aí
À procura da falsa liberdade.
Já não se recorda do modus operandi
Da selvageria que o cerca.
Dá-se assim o recomeço e a reabilitação.
Passo a passo, dia a dia,
Vem o cheiro de verde e o gosto de sol.
Veste-se então o manto da falsa liberdade.
Apaga-se o passado de cárcere,
Sonha-se com o futuro de liberdade.
Acredita-se que de fato tem-se a vida nas mãos...
(Pobre bicho!)
Em pouco tempo some o cheiro e some o gosto,
E de falsa, a liberdade agora é dolorida.
E volta-se então, não mais que desembestado,
Pros antigos grilhões.
E volta-se então, não mais que desembestado,
Pros antigos grilhões.
Passarinho
Escrito em 13/04/12:
Santa ingenuidade!
Eu, árvore de raiz funda,
Pensei que pudesse aprisionar o passarinho.
Esqueci que quem arma arapuca e usa gaiola
É o bicho homem.
Chegaste durante a primavera,
Das bossas, a mais linda assobiava,
Encantaste meu coração,
E por isso dei-te abrigo,
Te cobri com minhas folhas,
E abri caminho para os galhos mais escondidos.
No verão houve sombra e vento fresco,
Sob a copa, ficaste escondida de predador.
Me fizeste esquecer minha natureza,
E me fizeste desejar voar.
Tentei em vão,
Mas, foi bom sonhar.
Partes agora,
Depois de tanto tempo,
Vai achar pouso em outras paragens...
Vai, então
Parte, passarinho!
És livre novamente,
Segue o que é de tua natureza.
Só não vá confundir
Árvore frondosa com arbusto espinhento.
E nem penses em voltar
Enquanto outros passarinhos não vierem cantarolar no teu lugar.
Santa ingenuidade!
Eu, árvore de raiz funda,
Pensei que pudesse aprisionar o passarinho.
Esqueci que quem arma arapuca e usa gaiola
É o bicho homem.
Chegaste durante a primavera,
Das bossas, a mais linda assobiava,
Encantaste meu coração,
E por isso dei-te abrigo,
Te cobri com minhas folhas,
E abri caminho para os galhos mais escondidos.
No verão houve sombra e vento fresco,
Sob a copa, ficaste escondida de predador.
Me fizeste esquecer minha natureza,
E me fizeste desejar voar.
Tentei em vão,
Mas, foi bom sonhar.
Partes agora,
Depois de tanto tempo,
Vai achar pouso em outras paragens...
Vai, então
Parte, passarinho!
És livre novamente,
Segue o que é de tua natureza.
Só não vá confundir
Árvore frondosa com arbusto espinhento.
E nem penses em voltar
Enquanto outros passarinhos não vierem cantarolar no teu lugar.
Pelo prado
Escrito em 12/03/12:
É um daqueles dominicais dias, o sol brilha fraco, pois ainda é o quinto dia ensolarado, depois de um longo período de chuvas. Caminho com tristeza pelo prado verdejante. Pela altura do sol, não deve passar das dez horas. Eu já estou de pé desde antes dos seus raios subirem no leste.
Sempre gostei dos desjejuns lentos, e neste dia não agi diferente. Após comer e dar um jeito na sujeira, parti para mais um dia de trabalho, os raios já vinham surgindo por detrás dos montes.
Já completei, ou devo completar por esses dias, longos seis meses que estou aqui, então todos os deveres, matinais ou não, já estão devidamente assimilados. Alimentar todos os animais. Cortar a lenha e depois guardá-la para os períodos de necessidade.
Manter o mato que fica mais próximo da casa sempre bem aparado é questão de segurança. Consertar a cerca é um trabalho chato e recorrente, durante a noite os animais sempre tentam ultrapassar os limites da propriedade sem tomar cuidado com as delimitações.
E assim começou o dia de trabalho, no lombo do cavalo percorrendo o amplo prado à procura de serviços para terminar.
Mas, já é por volta das dez. E aqui me encontro. Vou caminhando, guiando o cavalo pelas rédeas, já completei todo o serviço pelo dia de hoje. É quando essa sensação, qual pedra arremessada nas tranquilas águas de um lago, faz a mente estremecer em ondas repetidas.
Como é triste correr para fazer e consertar e viver tudo, na ânsia de que isso talvez traga algum sentimento bom e ao chegar aqui, nesse estágio, perceber que certas coisas quando são perenes acabam por perder seu sentido inicial.
As plantas ao meu redor me mostram isso a todo instante, esse eterno morrer-nascer. Entretanto, cego fui e cego estou. De tão sozinho a cegueira se acentua. Como posso ver e entender e aceitar o ciclo se ajuda não possuo?
Triste ironia, tanto batalhar e nada conquistar.
Com os passos lentos, sigo para casa, sempre com a esperança de encontrar a esperança atrás d'algum arbusto ou debaixo d'alguma pedra. Todas esperanças falhas, nenhum inseto vem me falar, parece que o mundo anda esquecido.
Esquecido de mim e não do seu funcionamento, o sol já está no meio do seu caminho leste-oeste. E eu ainda no meio do caminho cerca-casa. Apresso o passo, na esperança de novidades na hora do almoço. Quem sabe a sorte de surpresas que me esperam em casa?
É um daqueles dominicais dias, o sol brilha fraco, pois ainda é o quinto dia ensolarado, depois de um longo período de chuvas. Caminho com tristeza pelo prado verdejante. Pela altura do sol, não deve passar das dez horas. Eu já estou de pé desde antes dos seus raios subirem no leste.
Sempre gostei dos desjejuns lentos, e neste dia não agi diferente. Após comer e dar um jeito na sujeira, parti para mais um dia de trabalho, os raios já vinham surgindo por detrás dos montes.
Já completei, ou devo completar por esses dias, longos seis meses que estou aqui, então todos os deveres, matinais ou não, já estão devidamente assimilados. Alimentar todos os animais. Cortar a lenha e depois guardá-la para os períodos de necessidade.
Manter o mato que fica mais próximo da casa sempre bem aparado é questão de segurança. Consertar a cerca é um trabalho chato e recorrente, durante a noite os animais sempre tentam ultrapassar os limites da propriedade sem tomar cuidado com as delimitações.
E assim começou o dia de trabalho, no lombo do cavalo percorrendo o amplo prado à procura de serviços para terminar.
Mas, já é por volta das dez. E aqui me encontro. Vou caminhando, guiando o cavalo pelas rédeas, já completei todo o serviço pelo dia de hoje. É quando essa sensação, qual pedra arremessada nas tranquilas águas de um lago, faz a mente estremecer em ondas repetidas.
Como é triste correr para fazer e consertar e viver tudo, na ânsia de que isso talvez traga algum sentimento bom e ao chegar aqui, nesse estágio, perceber que certas coisas quando são perenes acabam por perder seu sentido inicial.
As plantas ao meu redor me mostram isso a todo instante, esse eterno morrer-nascer. Entretanto, cego fui e cego estou. De tão sozinho a cegueira se acentua. Como posso ver e entender e aceitar o ciclo se ajuda não possuo?
Triste ironia, tanto batalhar e nada conquistar.
Com os passos lentos, sigo para casa, sempre com a esperança de encontrar a esperança atrás d'algum arbusto ou debaixo d'alguma pedra. Todas esperanças falhas, nenhum inseto vem me falar, parece que o mundo anda esquecido.
Esquecido de mim e não do seu funcionamento, o sol já está no meio do seu caminho leste-oeste. E eu ainda no meio do caminho cerca-casa. Apresso o passo, na esperança de novidades na hora do almoço. Quem sabe a sorte de surpresas que me esperam em casa?
Talvez nada, ou coisa pior.
E, de fato, assim foi...
Os festejos
Escrito em 15/11/11:
Pare e ouça, meu amor.
Consegue ouvir esse som?
São os sinos anunciando o início
De todos os festejos.
Agora já vem a multidão,
Gente de todo tipo,
Agrupam-se em frente da Igreja,
como uma festa do interior.
Ouça com cuidado, meu amor.
Os sinos que tocam são da Igreja de minh'alma,
E agrupam-se meus sentidos em torno dela.
Festejam a enorme alegria de sua chegada.
Me dê sua mão agora,
A Orquestra já chegou,
Consegue sentir o seu ribombar descompassado?
É meu coração feliz por te ver!
Pare e ouça, meu amor.
Consegue ouvir esse som?
São os sinos anunciando o início
De todos os festejos.
Agora já vem a multidão,
Gente de todo tipo,
Agrupam-se em frente da Igreja,
como uma festa do interior.
Ouça com cuidado, meu amor.
Os sinos que tocam são da Igreja de minh'alma,
E agrupam-se meus sentidos em torno dela.
Festejam a enorme alegria de sua chegada.
Me dê sua mão agora,
A Orquestra já chegou,
Consegue sentir o seu ribombar descompassado?
É meu coração feliz por te ver!
Triste dedilhar da saudade
Escrito em 15/11/11:
Será que vês que irradio felicidade ao te ver chegar?
(E como me quebro em cacos ao te ver partir!)
Será que vês que necessito mais e mais do seu olhar?
(E como me regozija a sua presença e o toque de suas mãos!)
Se não viu, veja!
Ou talvez, será que percebes que me seduz por completo?
(E como seduz! Indago-me: que mistérios guarda
por detrás desses olhos que me consomem?)
E ainda, será que percebes que o que preciso mesmo é de seus beijos?
(E como preciso também ir de encontro ao seu corpo, e juntá-lo ao meu,
para sentir seu calor, e quem sabe transmitir o meu!)
Caso não tenha percebido, perceba
Perceba e veja,
O que digo é real,
Já não suporto a saudade de um minuto sem você.
Veja e perceba,
Tome esses versos como um pedido
(Uma súplica de quem não sabe se expressar),
Não suma jamais!
(E como me quebro em cacos ao te ver partir!)
Será que vês que necessito mais e mais do seu olhar?
(E como me regozija a sua presença e o toque de suas mãos!)
Se não viu, veja!
Ou talvez, será que percebes que me seduz por completo?
(E como seduz! Indago-me: que mistérios guarda
por detrás desses olhos que me consomem?)
E ainda, será que percebes que o que preciso mesmo é de seus beijos?
(E como preciso também ir de encontro ao seu corpo, e juntá-lo ao meu,
para sentir seu calor, e quem sabe transmitir o meu!)
Caso não tenha percebido, perceba
Perceba e veja,
O que digo é real,
Já não suporto a saudade de um minuto sem você.
Veja e perceba,
Tome esses versos como um pedido
(Uma súplica de quem não sabe se expressar),
Não suma jamais!
Ora isso, ora aquilo
Escrito em 15/08/10:
Falar sobre mares, florestas e estrelas é deveras bonito,
Mas a necessidade é de algo além,
De algo ainda não inventado, ainda não pensado,
Algo que possa ser comparado com a curiosidade que você inspira.
Nem o verme de Augusto,
Nem o assassino de Dostoiévski,
Nem os calcanhares de Aquiles.
Nada disso.
As letras são traiçoeiras, expressam sentimentos
Em múltiplos sentidos, e com múltiplos alvos.
"É só ter olhos de ver e ouvidos de ouvir",
Conforme disse o poeta,
Mas, fazendo uso das mesmas letras traiçoeiras,
Digo que é difícil só ouvir ou ver,
Quando apenas ondas eletromagnéticas transportam
Isso que escrevo, e o que tu, por teu lado,
também escreve.
Ode ao amplexo
Escrito em 20/12/09:
Então seus lábios se afastam lentamente. De súbito ela o abraça, algo totalmente inesperado. Entretanto, ele parece gostar, se assusta por meros dois segundos, depois entende a triste razão daquilo. E retribui o abraço, apertando-a tão forte quanto ela o fazia.
- Daqui pra frente só pela internet. - disse ela.
- É, ou uma ou duas vezes durante as férias, mas vai ser complicado. - ele respondeu.
Ele apoiou sua cabeça na dela, e ficou alí pensativo. Dava pra sentir sua respiração, leve como só ela tinha. E o abraço seguiu, em um balanço hipnótico, lento como uma canção ninar.
Carpe diem era o que ele estava aprendendo a fazer, aproveitar o momento como se fosse o último. Seria aquele realmente o último? A vida pode ser algo cruel algumas vezes, e mesmo não querendo pensar, sabia que aquele seria o último. Preferia calar-se, e como disse, aproveitar o momento.
- Vamos? - ela perguntou, já se soltando.
- Sim, já deve estar na hora, não é? - ele disse, se afastando alguns centímetros. - Que horas são?
Ela pôs a mão em sua mochila, e olhou as horas, eram 18:33...
Pequena crônica pseudo-nórdica
Escrito em 12/07/09:
E lá estava Erik, sentado em uma das mesas de madeira do famoso pub 'The Eagle And Children', admirando a magnífica paisagem noturna através da janela. Quem, mesmo que por alguns segundos, visse sua mudez perante os falantes acompanhantes de sua mesa, somado ao seu cálice com cabernet ainda cheio, diria, com a precipitação típica dos seres humanos, que não era do seu agrado estar alí.
Como conhecedor de sua psique, afirmo logo que isso é mentira. Assim como todo bom escandinavo, nosso protagonista preza a diversão entre amigos e o álcool, tanto quanto preza pelos seus progenitores. É bem verdade que Erik preferiria estar bebendo seu querido hidromel, mas álcool é álcool, e quanto a isso não há discussão.
A razão de sua frieza perante o momento? Digo-lhes que é aquilo que funciona como o algoz da vida daqueles que tem sangue correndo nas veias. Não era passar um mês na Inglaterra que o entristecia, o verdadeiro problema era passar esse período de tempo longe de Kristine. A 'jovem donzela' que conseguiu rápida e misteriosamente arrebatar o coração de nosso protagonista 'viking' possui uma qualidade um tanto quanto incomum para uma pessoa que reside em Estocolmo; enquanto é quase regra ser possuir os cabelos claros naquela região, Kristine possui os cabelos castanhos (um cabelo muito bonito, por sinal, e digno de uma atenção especial: fulgura entre o encaracolado e o ondulado, e lhe cai cerca de dois centímetros abaixo das espáduas).
Ela compartilha um sem número de paixões com Erik, provavelmente esse fator é o gerador da grande atração entre os dois. Ainda está fresca na memória de Erik as tardes inteiras passadas com Kristine, andando pelas florestas da Lapônia com algumas garrafas de hidromel caseiro e uma vontade gigantesca de se conhecer mutuamente. Durante dois anos e seis meses esse foi o programa dos dois, com a companhia apenas de animais, criaram um estranho, mas forte vínculo.
Podes achar exagero de Erik, mas se esquece que todo algoz traz sofrimento, mesmo que por pouco tempo. Um mês, trinta dias, setecentas e vinte horas, quarenta e três mil e duzentos minutos, enfim, seja qual for a unidade de tempo que preferir, esse é o tempo de espera. Torço fervorosamente que passe rápido, ou melhor, que passe voando.
Assinar:
Postagens (Atom)