terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Casa vazia

olho as velharias espalhadas pelo chão
uma xícara de café,
lençol, colchão, travesseiro

não preciso de muito mais que isso.
(pra sobreviver,
porque ser feliz é outra história)

parando pra pensar é que descubro:
"ora, sou mesmo o macalesco faquir da dor!"

abaixo, levanto, corro, paro, olho a cidade pela janela,
se quer saber, ainda quero ouvir sua voz
não guardo mágoa
que não sou dessas coisas
(talvez só um pouco)

meu bem, a desintoxicação leva tempo, 
agora entendo.
a paixão também
mas aceito sim as desculpas nunca dadas
pelo sonho interrompido

venha sim fazer aquela visita nunca prometida,
venha de trança ou cabeça raspada,
nua ou bem vestida, não sei, mas venha

só não fique muda,
que muda não se fica,

que muda não se cresce sozinha.