Do charco de lama mais espessa
E de água mais escura,
Às vezes, nasce,
Imponente como só ela,
A flor de lótus.
Dona de irônica e única beleza,
Lótus enfeita tão feio lugar.
Mas, não podendo fugir
De nossa rota pré-moldada,
Lótus também perece,
Voltando a ser lama.
E voltando a tornar tão comum o seu lugar.
É tolice esperar sentado
Que lótus volte a florescer.
Pois quando der de acontecer,
É possível que já seja tarde,
E uma vida inteira tenha passado diante de ti,
Sem que nem se desse conta.
Tem é que sair do charco.
Flor se caça na campina.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
sábado, 10 de novembro de 2012
Papel transcendental
Nossa existência é assim:
Quilométrico papel branquinho.
Nele escrevemos cada passo.
Sabe-se lá a razão.
É assim também:
Escrito à caneta,
Um explícito masoquismo.
Ora de mão leve, ora de mão pesada.
A cada erro de escrita, valha-me Deus!
Santa agonia.
Nos portamos feito loucos, quase rasgamos o papel.
A vã esperança de apagar doloroso feito.
Com um pouco de tempo
E paciência do tamanho de uma montanha,
Aprendemos a ter letra bonita
E a continuar escrevendo, apesar dos erros.
Quilométrico papel branquinho.
Nele escrevemos cada passo.
Sabe-se lá a razão.
É assim também:
Escrito à caneta,
Um explícito masoquismo.
Ora de mão leve, ora de mão pesada.
A cada erro de escrita, valha-me Deus!
Santa agonia.
Nos portamos feito loucos, quase rasgamos o papel.
A vã esperança de apagar doloroso feito.
Com um pouco de tempo
E paciência do tamanho de uma montanha,
Aprendemos a ter letra bonita
E a continuar escrevendo, apesar dos erros.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Veja, moça I e II
Veja, moça
Já não te apresentas tão doce
Quanto a moça do sonho de idos meses.
E já nem tem beijos ou abraços
Que se pareçam com os da moça do sonho de ontem.
E, muito provável, ainda estejas tão brava
Quanto a moça do sonho de semanas atrás.
Que desgraça, não, moça?
Veja o que se abateu sobre nós:
Como duas pequenas moscas,
Fomos atraídos para a teia de nosso predador.
E aqui ficamos presos nesse turbilhão de vir a ser.
E, mais do que isso, moça
Somos nós e somente nós os predadores cheios de veneno.
Representamos em x e y a função inversa de amantes.
E quem vai saber onde está o erro, moça?
Talvez o erro esteja em existir,
Ou, mais do que isso, talvez o erro esteja em amar...
Ora, esqueça, moça, acho que falei demais
E me irritei demais, e, talvez pensei demais.
Não há erro em amar,
E amando, só com amor podemos pagar.
E aqui, não somos portanto, moça,
Nem credor, nem devedor.
É comum que venha a se indagar: "posto que recebi e não paguei,
Qual a lógica perversa desse raciocínio?"
E logo responderei que não sei.
E mesmo já tendo ficado bravo,
Hoje te digo com plena certeza
Que o amor não há de ser moeda de troca,
E por ele não deve haver mendicância.
E que fico feliz de ter te dado todo o amor que outrora havia por aqui,
Mesmo que aqui já não sobre nenhum e eu ande temeroso com a sombra dos dias.
Já não te apresentas tão doce
Quanto a moça do sonho de idos meses.
E já nem tem beijos ou abraços
Que se pareçam com os da moça do sonho de ontem.
E, muito provável, ainda estejas tão brava
Quanto a moça do sonho de semanas atrás.
Que desgraça, não, moça?
Veja o que se abateu sobre nós:
Como duas pequenas moscas,
Fomos atraídos para a teia de nosso predador.
E aqui ficamos presos nesse turbilhão de vir a ser.
E, mais do que isso, moça
Somos nós e somente nós os predadores cheios de veneno.
Representamos em x e y a função inversa de amantes.
E quem vai saber onde está o erro, moça?
Talvez o erro esteja em existir,
Ou, mais do que isso, talvez o erro esteja em amar...
Ora, esqueça, moça, acho que falei demais
E me irritei demais, e, talvez pensei demais.
Não há erro em amar,
E amando, só com amor podemos pagar.
E aqui, não somos portanto, moça,
Nem credor, nem devedor.
É comum que venha a se indagar: "posto que recebi e não paguei,
Qual a lógica perversa desse raciocínio?"
E logo responderei que não sei.
E mesmo já tendo ficado bravo,
Hoje te digo com plena certeza
Que o amor não há de ser moeda de troca,
E por ele não deve haver mendicância.
E que fico feliz de ter te dado todo o amor que outrora havia por aqui,
Mesmo que aqui já não sobre nenhum e eu ande temeroso com a sombra dos dias.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Sendo humano
Somos assim,
Fugitivos sem razão,
Sem rumo, ou mapa
Que nos mostre exatamente
Aonde se encontra o abrigo.
Prisioneiros por opção,
De uma prisão sem grades ou paredes.
Uma prisão que, na verdade, nem existe.
Presos ao que não conseguimos definir.
Algozes de nós mesmos,
Sempre a colocar mais pesos um no outro.
A torturar lentamente o que não se deve torturar.
Sem entender muito bem
Como devemos nos comportar.
Somos nós, nós dois,
(E quem mais quiser)
Tão noz, com duras cascas de orgulho,
E ao mesmo tempo tão humanos,
Ainda necessitados do devido carinho.
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