aquilo que acordo de manhã
é o que sou durante a tarde e
que não muda quando vem a noite.
sou perene, mesmo sem querer,
se por um acaso combinas comigo da gente se encontrar às 7:00,
6:30 eu estou a meia hora do lugar combinado,
se digo 'sim',
orgulho ou burrice,
não a jeito de me fazer dizer 'não'
veja, não é culpa minha, é sem querer.
sou pedra, tronco de madeira maciça,
sou tão velho quanto a terra em que pisamos.
pra longe com esse martelo e esse machado afiado,
me despedaçar não vai nos ajudar.
no meu profundo há uma ânsia de vento,
água, fluido,
quero ser novo,
maleável,
pra entrar e sair dos seus poros
demarcar lugar e me formar conforme a necessidade
sem me estrepar,
sem te estrepar...
que é o que vejo acontecer com tantos outros pares.
haverá maneira de ser menos Pedro, a pedra?
sorte ou azar,
nessa aula não pude estar.