sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Perene

aquilo que acordo de manhã
é o que sou durante a tarde e
que não muda quando vem a noite.

sou perene, mesmo sem querer,

se por um acaso combinas comigo da gente se encontrar às 7:00,
6:30 eu estou a meia hora do lugar combinado,

se digo 'sim',
orgulho ou burrice,
não a jeito de me fazer dizer 'não'

veja, não é culpa minha, é sem querer.
sou pedra, tronco de madeira maciça,
sou tão velho quanto a terra em que pisamos.

pra longe com esse martelo e esse machado afiado,
me despedaçar não vai nos ajudar.

no meu profundo há uma ânsia de vento,
água, fluido,

quero ser novo,
maleável,
pra entrar e sair dos seus poros
demarcar lugar e me formar conforme a necessidade

sem me estrepar,

sem te estrepar...

que é o que vejo acontecer com tantos outros pares.

haverá maneira de ser menos Pedro, a pedra?
sorte ou azar,
nessa aula não pude estar.

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