Você já pensou ir mais eu viajar?
Já pensou seguir trilha sem rumo?
Talvez seja isso que me falte,
Talvez isso conforte.
A cidade não me pertence,
E dela não desejo porca lembrança.
Nasci foi no mato,
E lá quero morrer.
Longe de toda falta de tempo,
Longe de toda leviandade,
Longe de tudo isso que faz mal.
Já pensou seguir caravana comigo?
Ter um amor em cada lugar.
(caso não seja amor o que tenha por mim, Diana)
Viver disso que a mão consegue pegar,
E fazer arte só por diversão.
Parar na beira do rio,
Lavar a poeira do rosto
E então calmamente seguir seu fluxo.
Sim, é disso que preciso.
Muito embora sozinho ou acompanhado,
Porque a vida é mesmo cigana.
domingo, 27 de outubro de 2013
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Insônia
Duas, três da manhã...
Esse horário de verão sempre me confunde.
Acendi com um pouco de dificuldade o terceiro ou quarto cigarro.
Maldição, esse isqueiro já está ficando com defeito, sussurrei.
Servi outra dose de conhaque,
A quarta ou quinta,
Virei de uma vez,
Me levantei, fui até o banheiro,
Me olhei no espelho e já me via distorcido...
Amanhã vai ser duro acordar, murmurei pelo canto da boca.
O sono ainda não vindo, voltei à mesa,
Cotovelos se apoiam,
Mãos seguram o peso da cabeça,
Pernas se cruzam...
Vem a lembrança insone de uns meses atrás:
Você saia do banheiro só de camisola,
E me encontrando nessa mesma posição,
Descruzava minhas pernas e se sentava cuidadosamente sobre elas,
Começava a me contar um não-sei-quê-lá de trabalho e estudo,
Enquanto brincava com meu cabelo.
Eram umas coisas meio amenas, e eu ardendo...
Olhei pro celular mudo do lado,
Já faz cinco meses que nem mensagem da operadora eu vejo...
Peguei papel e caneta, te escrevi uns desaforos:
Maluca, eu menti tudo que te disse, viva com isso agora!
Tava lá escrito.
Procurei teu nome na agenda,
E num ligo-não-ligo que durou 20 minutos,
Resolvi deixar pra lá,
Você não quer nada mesmo,
De quê isso iria adiantar?
Amassei o maldito papel e fui sem sono até a janela,
Lá longe o mar escuro quebrava
E do meu lado o morro andava mais estrelado que o céu,
Sujei a mão com a poeira do parapeito: preciso limpar isso aqui...
Me lembrei de como você gostava de sentir o ar das noite frias.
Que merda, parece até que tô envenenado, falei baixinho.
Antes fosse sonífero...
Passarinhos agora já cantam,
Malditos, por que tão felizes?!
O dia vai clareando nas bordas...
Deitei forçado, me levanto daqui a uma hora,
Roguei proteção a Oxalá,
Oxum talvez me ajude também,
Talvez eles tragam Odete de volta,
Talvez mantenham ela longe,
Acho que agora prefiro que só tragam o sono que ela levou sem pedir.
Esse horário de verão sempre me confunde.
Acendi com um pouco de dificuldade o terceiro ou quarto cigarro.
Maldição, esse isqueiro já está ficando com defeito, sussurrei.
Servi outra dose de conhaque,
A quarta ou quinta,
Virei de uma vez,
Me levantei, fui até o banheiro,
Me olhei no espelho e já me via distorcido...
Amanhã vai ser duro acordar, murmurei pelo canto da boca.
O sono ainda não vindo, voltei à mesa,
Cotovelos se apoiam,
Mãos seguram o peso da cabeça,
Pernas se cruzam...
Vem a lembrança insone de uns meses atrás:
Você saia do banheiro só de camisola,
E me encontrando nessa mesma posição,
Descruzava minhas pernas e se sentava cuidadosamente sobre elas,
Começava a me contar um não-sei-quê-lá de trabalho e estudo,
Enquanto brincava com meu cabelo.
Eram umas coisas meio amenas, e eu ardendo...
Olhei pro celular mudo do lado,
Já faz cinco meses que nem mensagem da operadora eu vejo...
Peguei papel e caneta, te escrevi uns desaforos:
Maluca, eu menti tudo que te disse, viva com isso agora!
Tava lá escrito.
Procurei teu nome na agenda,
E num ligo-não-ligo que durou 20 minutos,
Resolvi deixar pra lá,
Você não quer nada mesmo,
De quê isso iria adiantar?
Amassei o maldito papel e fui sem sono até a janela,
Lá longe o mar escuro quebrava
E do meu lado o morro andava mais estrelado que o céu,
Sujei a mão com a poeira do parapeito: preciso limpar isso aqui...
Me lembrei de como você gostava de sentir o ar das noite frias.
Que merda, parece até que tô envenenado, falei baixinho.
Antes fosse sonífero...
Passarinhos agora já cantam,
Malditos, por que tão felizes?!
O dia vai clareando nas bordas...
Deitei forçado, me levanto daqui a uma hora,
Roguei proteção a Oxalá,
Oxum talvez me ajude também,
Talvez eles tragam Odete de volta,
Talvez mantenham ela longe,
Acho que agora prefiro que só tragam o sono que ela levou sem pedir.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Ojuobá
Talvez a vida fosse mais fácil
Se, por exemplo,
Minha ladeira já não fosse comum ladeira,
Se minha ladeira fosse rua de Salvador.
Se os muros fossem rabiscados pelo Carybé,
Ah, que beleza seria viver!
Se cada mulher dessa cidade conhecesse bem meus dotes,
Se nem Iaba pudesse comigo!
E pelo Pelourinho eu perdesse a conta de meus afilhados.
A vida talvez se facilitasse
Se eu também fosse descendente Obiticô.
Se eu também tivesse sangue de nigeriano caçador de leão.
Ora, melhor seria viver só da comida do santo,
Viver vida simples, andar de calça e sem camisa,
E ter dinheiro mesmo só pra branquinha do recôncavo.
Muito melhor seria ritmar no Lê,
E ver Mestre Vadinho fazer o santo baixar com o solo do Rum.
Bom mesmo deve ser ser Ojuobá de Xangô,
Bom mesmo deve ser ser os olhos do rei.
E mesmo sofrendo repressão pelo que sou,
Um mero pardo, macumbeiro, capoeirista,
Bom mesmo deve ser ver Ogum botar delegado Pedrito Gordo pra correr.
Estudar e escrever meus livros.
E me tornar muito mais do que qualquer professor de faculdade assoberbado.
E mesmo levando eternamente um amor que nunca consumei com Rosa de Oxalá,
Por amor e respeito a meu amigo Mestre Lídio,
Nunca largar a pândega.
Tudo pra depois de velho morrer caído no ladeirão...
Ah, que bom seria viver!
Melhor que viver uma espera sem fim.
Melhor que ter que manter o coração pra sempre calado no peito.
Se, por exemplo,
Minha ladeira já não fosse comum ladeira,
Se minha ladeira fosse rua de Salvador.
Se os muros fossem rabiscados pelo Carybé,
Ah, que beleza seria viver!
Se cada mulher dessa cidade conhecesse bem meus dotes,
Se nem Iaba pudesse comigo!
E pelo Pelourinho eu perdesse a conta de meus afilhados.
A vida talvez se facilitasse
Se eu também fosse descendente Obiticô.
Se eu também tivesse sangue de nigeriano caçador de leão.
Ora, melhor seria viver só da comida do santo,
Viver vida simples, andar de calça e sem camisa,
E ter dinheiro mesmo só pra branquinha do recôncavo.
Muito melhor seria ritmar no Lê,
E ver Mestre Vadinho fazer o santo baixar com o solo do Rum.
Bom mesmo deve ser ser Ojuobá de Xangô,
Bom mesmo deve ser ser os olhos do rei.
E mesmo sofrendo repressão pelo que sou,
Um mero pardo, macumbeiro, capoeirista,
Bom mesmo deve ser ver Ogum botar delegado Pedrito Gordo pra correr.
Estudar e escrever meus livros.
E me tornar muito mais do que qualquer professor de faculdade assoberbado.
E mesmo levando eternamente um amor que nunca consumei com Rosa de Oxalá,
Por amor e respeito a meu amigo Mestre Lídio,
Nunca largar a pândega.
Tudo pra depois de velho morrer caído no ladeirão...
Ah, que bom seria viver!
Melhor que viver uma espera sem fim.
Melhor que ter que manter o coração pra sempre calado no peito.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Poema acalanto
Ora, por que tanto choro, minha criança?
Acordou toda a casa e ainda quer mais?
Venha no colo; é dor?
É dor!
Vamos deitar assim,
Barriga com barriga,
Talvez te resolva essa cólica chata...
Agora que volta a adormecer,
Saiba que papai te ama,
Talvez não tenha certeza ainda...
Que loucura da minha parte,
Não deve nem saber o que é amor ainda!
Talvez papai fique,
Talvez papai vá embora antes do tempo,
Talvez papai adoeça e enlouqueça...
Terá que saber se virar com o que tem,
Terá que curar as cólicas sem colo ou carinho ou barriga...
O mundo não vai ter pena,
Vai te engolir na primeira oportunidade.
As pessoas não vão ter pena,
Teus anseios não passarão de bobagens romantizadas.
Teus amores não vão ter pena,
Há de saber amar com rapidez e perfeição,
Todos tem sempre muita pressa...
Esteja pronto,
Papai talvez não esteja mais aqui,
Mas certamente aceso dentro de ti,
Qual luz morna que aquece nos dias frios,
A réstia desse meu bem-querer vai estar.
Passe ela adiante...
Meu pequeno, meu amor.
Acordou toda a casa e ainda quer mais?
Venha no colo; é dor?
É dor!
Vamos deitar assim,
Barriga com barriga,
Talvez te resolva essa cólica chata...
Agora que volta a adormecer,
Saiba que papai te ama,
Talvez não tenha certeza ainda...
Que loucura da minha parte,
Não deve nem saber o que é amor ainda!
Talvez papai fique,
Talvez papai vá embora antes do tempo,
Talvez papai adoeça e enlouqueça...
Terá que saber se virar com o que tem,
Terá que curar as cólicas sem colo ou carinho ou barriga...
O mundo não vai ter pena,
Vai te engolir na primeira oportunidade.
As pessoas não vão ter pena,
Teus anseios não passarão de bobagens romantizadas.
Teus amores não vão ter pena,
Há de saber amar com rapidez e perfeição,
Todos tem sempre muita pressa...
Esteja pronto,
Papai talvez não esteja mais aqui,
Mas certamente aceso dentro de ti,
Qual luz morna que aquece nos dias frios,
A réstia desse meu bem-querer vai estar.
Passe ela adiante...
Meu pequeno, meu amor.
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