quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Insônia

Duas, três da manhã...
Esse horário de verão sempre me confunde.
Acendi com um pouco de dificuldade o terceiro ou quarto cigarro.
Maldição, esse isqueiro já está ficando com defeito, sussurrei.

Servi outra dose de conhaque,
A quarta ou quinta,
Virei de uma vez,
Me levantei, fui até o banheiro,
Me olhei no espelho e já me via distorcido...
Amanhã vai ser duro acordar, murmurei pelo canto da boca.

O sono ainda não vindo, voltei à mesa,
Cotovelos se apoiam,
Mãos seguram o peso da cabeça,
Pernas se cruzam...

Vem a lembrança insone de uns meses atrás:
Você saia do banheiro só de camisola,
E me encontrando nessa mesma posição,
Descruzava minhas pernas e se sentava cuidadosamente sobre elas,
Começava a me contar um não-sei-quê-lá de trabalho e estudo,
Enquanto brincava com meu cabelo.
Eram umas coisas meio amenas, e eu ardendo...

Olhei pro celular mudo do lado,
Já faz cinco meses que nem mensagem da operadora eu vejo...
Peguei papel e caneta, te escrevi uns desaforos:
Maluca, eu menti tudo que te disse, viva com isso agora!
Tava lá escrito.

Procurei teu nome na agenda,
E num ligo-não-ligo que durou 20 minutos,
Resolvi deixar pra lá,
Você não quer nada mesmo,
De quê isso iria adiantar?

Amassei o maldito papel e fui sem sono até a janela,
Lá longe o mar escuro quebrava
E do meu lado o morro andava mais estrelado que o céu,
Sujei a mão com a poeira do parapeito: preciso limpar isso aqui...
Me lembrei de como você gostava de sentir o ar das noite frias.
Que merda, parece até que tô envenenado, falei baixinho.

Antes fosse sonífero...
Passarinhos agora já cantam,
Malditos, por que tão felizes?!
O dia vai clareando nas bordas...

Deitei forçado, me levanto daqui a uma hora,
Roguei proteção a Oxalá,
Oxum talvez me ajude também,
Talvez eles tragam Odete de volta,
Talvez mantenham ela longe,
Acho que agora prefiro que só tragam o sono que ela levou sem pedir.

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