sábado, 22 de setembro de 2012

Prima Vera

Pré-ocupado com problemas,
Inúteis problemas do cotidiano
E papéis sem uso em cima da mesa,
Mal via a tempestade e a ventania que varria quintais
E destelhava casas pelo lado de fora da janela.

E foi a ventania de tal potência
Que entrou pela janela,
Qual bicho mitológico que vem
Pronto pra alguma sorte de desagrado,
E varreu e destelhou todo o velho eu.

Quebrou vidraças e abriu portas, tirou o ranço.
Nada sobrou nesse sobrado velho do meu eu.
Revirou gavetas e jogou para longe
Os papéis sem uso que tanto me inquietavam.
Mal percebia eu o que se passava alí...

Era ela que vinha,
Nova e onipotente, pronta pra mais um outubro.
Ela, com seu sorriso largo, e seus novos amores.
Seu sol no peito e seus ipês em flor.
Era ela, era Vera.

domingo, 16 de setembro de 2012

Visita inesperada

E os mil caminhos do mundo
É que te servem de bússola.
Teu norte magnético
Se confunde com o teu norte geográfico.

Quais segredos estão escondidos
Debaixo de tuas roupas coloridas?
E o cheiro de incenso,
Qual a sua magia?

Vejo com clareza,
Por entre a fumaça branca do teu cigarro,
Que teu destino é mesmo andar por aí.
Cigana, nem mil moedas de ouro
Comprariam essa tua fome de estrada.

Não te quero, então, presa.
Tua vida é traçada ao som da rabeca,
E o teu amor é livre
Como o movimento dos teus pés.

Não te pedirei, então, beijos apaixonados,
Nem tua estadia cobrarei.
Talvez me falte, o que em tu sobra:
Coragem de ser livre.