Pré-ocupado com problemas,
Inúteis problemas do cotidiano
E papéis sem uso em cima da mesa,
Mal via a tempestade e a ventania que varria quintais
E destelhava casas pelo lado de fora da janela.
E foi a ventania de tal potência
Que entrou pela janela,
Qual bicho mitológico que vem
Pronto pra alguma sorte de desagrado,
E varreu e destelhou todo o velho eu.
Quebrou vidraças e abriu portas, tirou o ranço.
Nada sobrou nesse sobrado velho do meu eu.
Revirou gavetas e jogou para longe
Os papéis sem uso que tanto me inquietavam.
Mal percebia eu o que se passava alí...
Era ela que vinha,
Nova e onipotente, pronta pra mais um outubro.
Ela, com seu sorriso largo, e seus novos amores.
Seu sol no peito e seus ipês em flor.
Era ela, era Vera.
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