quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Veja, moça I e II

Veja, moça
Já não te apresentas tão doce
Quanto a moça do sonho de idos meses.

E já nem tem beijos ou abraços
Que se pareçam com os da moça do sonho de ontem.
E, muito provável, ainda estejas tão brava
Quanto a moça do sonho de semanas atrás.

Que desgraça, não, moça?
Veja o que se abateu sobre nós:
Como duas pequenas moscas,
Fomos atraídos para a teia de nosso predador.
E aqui ficamos presos nesse turbilhão de vir a ser.

E, mais do que isso, moça
Somos nós e somente nós os predadores cheios de veneno.
Representamos em x e y a função inversa de amantes.

E quem vai saber onde está o erro, moça?
Talvez o erro esteja em existir,
Ou, mais do que isso, talvez o erro esteja em amar...




Ora, esqueça, moça, acho que falei demais
E me irritei demais, e, talvez pensei demais.
Não há erro em amar,
E amando, só com amor podemos pagar.

E aqui, não somos portanto, moça,
Nem credor, nem devedor.

É comum que venha a se indagar: "posto que recebi e não paguei,
Qual a lógica perversa desse raciocínio?"
E logo responderei que não sei.
E mesmo já tendo ficado bravo,
Hoje te digo com plena certeza
Que o amor não há de ser moeda de troca,
E por ele não deve haver mendicância.
E que fico feliz de ter te dado todo o amor que outrora havia por aqui,
Mesmo que aqui já não sobre nenhum e eu ande temeroso com a sombra dos dias.

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