quarta-feira, 25 de julho de 2012

Pequena crônica pseudo-nórdica


Escrito em 12/07/09:

E lá estava Erik, sentado em uma das mesas de madeira do famoso pub 'The Eagle And Children', admirando a magnífica paisagem noturna através da janela. Quem, mesmo que por alguns segundos, visse sua mudez perante os falantes acompanhantes de sua mesa, somado ao seu cálice com cabernet ainda cheio, diria, com a precipitação típica dos seres humanos, que não era do seu agrado estar alí.

Como conhecedor de sua psique, afirmo logo que isso é mentira. Assim como todo bom escandinavo, nosso protagonista preza a diversão entre amigos e o álcool, tanto quanto preza pelos seus progenitores. É bem verdade que Erik preferiria estar bebendo seu querido hidromel, mas álcool é álcool, e quanto a isso não há discussão.

A razão de sua frieza perante o momento? Digo-lhes que é aquilo que funciona como o algoz da vida daqueles que tem sangue correndo nas veias. Não era passar um mês na Inglaterra que o entristecia, o verdadeiro problema era passar esse período de tempo longe de Kristine. A 'jovem donzela' que conseguiu rápida e misteriosamente arrebatar o coração de nosso protagonista 'viking' possui uma qualidade um tanto quanto incomum para uma pessoa que reside em Estocolmo; enquanto é quase regra ser possuir os cabelos claros naquela região, Kristine possui os cabelos castanhos (um cabelo muito bonito, por sinal, e digno de uma atenção especial: fulgura entre o encaracolado e o ondulado, e lhe cai cerca de dois centímetros abaixo das espáduas).

Ela compartilha um sem número de paixões com Erik, provavelmente esse fator é o gerador da grande atração entre os dois. Ainda está fresca na memória de Erik as tardes inteiras passadas com Kristine, andando pelas florestas da Lapônia com algumas garrafas de hidromel caseiro e uma vontade gigantesca de se conhecer mutuamente. Durante dois anos e seis meses esse foi o programa dos dois, com a companhia apenas de animais, criaram um estranho, mas forte vínculo.

Podes achar exagero de Erik, mas se esquece que todo algoz traz sofrimento, mesmo que por pouco tempo. Um mês, trinta dias, setecentas e vinte horas, quarenta e três mil e duzentos minutos, enfim, seja qual for a unidade de tempo que preferir, esse é o tempo de espera. Torço fervorosamente que passe rápido, ou melhor, que passe voando.

Nenhum comentário:

Postar um comentário