É um daqueles dominicais dias, o sol brilha fraco, pois ainda é o quinto dia ensolarado, depois de um longo período de chuvas. Caminho com tristeza pelo prado verdejante. Pela altura do sol, não deve passar das dez horas. Eu já estou de pé desde antes dos seus raios subirem no leste.
Sempre gostei dos desjejuns lentos, e neste dia não agi diferente. Após comer e dar um jeito na sujeira, parti para mais um dia de trabalho, os raios já vinham surgindo por detrás dos montes.
Já completei, ou devo completar por esses dias, longos seis meses que estou aqui, então todos os deveres, matinais ou não, já estão devidamente assimilados. Alimentar todos os animais. Cortar a lenha e depois guardá-la para os períodos de necessidade.
Manter o mato que fica mais próximo da casa sempre bem aparado é questão de segurança. Consertar a cerca é um trabalho chato e recorrente, durante a noite os animais sempre tentam ultrapassar os limites da propriedade sem tomar cuidado com as delimitações.
E assim começou o dia de trabalho, no lombo do cavalo percorrendo o amplo prado à procura de serviços para terminar.
Mas, já é por volta das dez. E aqui me encontro. Vou caminhando, guiando o cavalo pelas rédeas, já completei todo o serviço pelo dia de hoje. É quando essa sensação, qual pedra arremessada nas tranquilas águas de um lago, faz a mente estremecer em ondas repetidas.
Como é triste correr para fazer e consertar e viver tudo, na ânsia de que isso talvez traga algum sentimento bom e ao chegar aqui, nesse estágio, perceber que certas coisas quando são perenes acabam por perder seu sentido inicial.
As plantas ao meu redor me mostram isso a todo instante, esse eterno morrer-nascer. Entretanto, cego fui e cego estou. De tão sozinho a cegueira se acentua. Como posso ver e entender e aceitar o ciclo se ajuda não possuo?
Triste ironia, tanto batalhar e nada conquistar.
Com os passos lentos, sigo para casa, sempre com a esperança de encontrar a esperança atrás d'algum arbusto ou debaixo d'alguma pedra. Todas esperanças falhas, nenhum inseto vem me falar, parece que o mundo anda esquecido.
Esquecido de mim e não do seu funcionamento, o sol já está no meio do seu caminho leste-oeste. E eu ainda no meio do caminho cerca-casa. Apresso o passo, na esperança de novidades na hora do almoço. Quem sabe a sorte de surpresas que me esperam em casa?
Talvez nada, ou coisa pior.
E, de fato, assim foi...
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