sábado, 22 de dezembro de 2012

Desmascararam-te

Veja que formidável, Tristeza,
Todos nós aqui reunidos em torno de seu leito de morte,
E, que incrível: nem mesmo sabes que morreu,
Tu mesma se vê, e finge não acreditar que afundas lentamente.

No fétido cheiro que sobe de tua cama,
Onde ousei um dia deitar, e onde preserva os mesmos lençóis,
Jaz sem teus tantos véus,
Que cismavam em encobrir a verdade de teu rosto,
Agora pálido e cadavérico.

Teus véus caíram, Tristeza,
Desmascararam-te!
Encontra-se agora nua, com teu magro corpo,
Sem tuas tão rotas roupas tecidas pela fiandeira da mentira.

Tu que enganaste a todos nós aqui reunidos,
Agora se vai aos poucos, sem carinho, sem saudade.
Vá logo, Tristeza, não se demore,
Não se esqueça de que há muito já não é bem vinda,
E lembre-se de que aqui ninguém mais se importa se vai bem ou mal.

É a tua irmã, Tristeza, a Felicidade
Que me faz bem, e a quem tanto desejo.
A você, não sobra mais do que aquela velha história:
Um abraço fingido e até nunca mais.

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