quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Sem nome, no. 1 ou sobre a paixão minimalista

Se tudo que sempre me cala,
De maneira torta,
Cisma de escorrer pelos dedos,

Tenha um pouco de paciência,
Que em algumas poucas linhas,
Vai saber o quase tudo que tenho pra te dizer.

Se eu calo a boca
Do que o peito está cheio,
(Amor, raiva, desejo)

De palavras tortas em linhas certas,
Vai saber o que guardo pra ti.
(Amor, raiva, desejo)

Mas só se for paciente,
Se gostar de esperar,
De conversar bobagem enquanto esfria o café,

De sentir o vento no rosto,
Mesmo no dia mais quente do ano,

De ver a fumaça branca dançar pra fora do cinzeiro,
Enquanto saem uns iê-iê-iês da caixinha de som.

De buscar motivos pra ter,
De maneira torta,
O que escorrer pelos dedos.

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