São tão insignificantes as coisas que deixou aqui
Que tiro elas do peito e saio, quase nu, vestido de insignificante
Sento no meio-fio
E enquanto observo o movimento frenético dos carros,
Vou contando pra todos,
Transeuntes e amigos,
Que viver, na verdade, é só saber deixar a poeira acumular,
Pra depois ter sempre o que limpar
E mesmo as coisas mais ínfimas,
Elas temos que deixar rasgar, arder, sujar,
Pra depois, com agulha e linha,
Ocupar a cabeça tentando suturar, remediar, limpar.
Um mendigo sujo e barbudo surge então,
Também se senta,
Se junta ao coro e em meio a soluços filosofa:
As esmolas insignificantes, amigos, que seria de mim sem elas?
Nenhum comentário:
Postar um comentário