sábado, 1 de dezembro de 2012

Maria

Maria, mulher de jeito tão peculiar,
Me jurou amor eterno,
Mas Maria não sabe bem o que quer.

E eu, juvenil Juvenal,
Tolo que só, acreditei.

Maria me fez jurar
De quatro, uivando,
Que só para ela teria olhos.

E eu, juvenil Juvenal,
De todo verdade, jurei.

Mas Maria não sabe bem o que quer
E após algum indeciso tempo,
Qual furacão que passa e arrebenta,
Partiu.
(Maria cigana, Maria maré)

Sem bilhete, sem resposta,
Maria deitou, sabe-se lá em quais camas.
E bebeu, sabe-se lá em quais copos.
E matou a insaciável fome, sabe-se lá em quais corpos.

E não sabendo bem o que quer,
Maria tornou a voltar,
Como uma tempestade, que vem sei lá d'onde.
E novamente jurou e me fez jurar.

E eu, juvenil Juvenal,
Acreditei e jurei.

E após refastelar-se,
De atenção e prazer,
Com tudo o que eu tinha para lhe oferecer,
Maria me engana e finge estar feliz.

E não sabendo bem o que quer,
Qual uma ventania,
Me diz, então, que tem novamente que partir.
(Parte, Maria!)

Se há de ser assim,
Maria, mesmo aflita, me ouça:
Não voltes, Maria,
Nem cigana, nem maré.

E se for o caso de ainda não saber o que quer,
Volte, Maria.
Mas volte
Maria pedra,
Maria chão.

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